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terça-feira, 10 de maio de 2011

Em Defesa dos Pré - Socráticos




Por : Hélio Dehon

O que pensamos quando falamos em origem Grega da filosofia ? Sócrates, a grande gênese do pensamento, um dos grandes responsáveis pelo milagre, nunca escreveu nada, sempre perambulando por uma Atenas que ainda não preparada para o pensamento radical do esfarrapado filósofo, foi morto pela cicuta. Platão, honroso, lutador de ombros largos, nunca vacilante, adversário retórico invencível. Ficou para a posteridade intelectual como um divisor de águas, lançando base para o pensamento moderno,com a inauguração da academia, a invenção do filósofo-rei e o conceito das IDÉIAS PURAS. Aristóteles, espírito mais científico, observador e classificador da natureza, professor de Alexandre da Macedônia, não há quem negue a importância do Estagirita.

E quanto aos ditos Pré-Socráticos ? Pensadores menores, marginalizados, associados aos sofistas na qual a própria etimologia da palavra já revela seu destino, pensadores falsos, mercenários e cobradores de seus serviços ( algo impensado pelo filósofo da Academia ou do Liceu ). Sempre lembrados por sua linha de pensamento ( atomistas, hedonistas, epicuristas, céticos, cínicos) ou localização geográfica ( Jônicos, Itálicos, Abderitanos,Cirenaicos) todas cidades marginais da gloriosa Atenas, mesmo Epicuro que tinha seus jardins por lá, ainda é lembrado como “ de Samos ”. Algumas definições vão além: beberrões, se juntando a prostitutas, onanistas, glutões, orgiáticos , marginais e anti-sociais, sempre entregues ao PRAZER.O próprio termo PRÉ revela-nos um problema.Quando citamos os Jônicos, Itálicos e Eleatas nos referimos em caráter temporal a pessoas anteriores a Sócrates. Mas quando nos referimos aqueles que viveram ( e em alguns casos até conviveram ) com o filósofo da cicuta e seu pupilo mais famoso ? Principalmente os Cirenaicos e Abderitanos ? É aí que toda a trama formada por dois milênios se revela. Aí o termo PRÉ deixa de ser temporal e se torna conceitual e até pré-conceitual, como uma filosofia inacabada, não cristalizada, um pré pensamento menor, um vir-a-ser para o grande momento filosófico catártico na cidade-estado!
As palavras em negrito acima denunciam a razão. De um lado uma filosofia das idéias puras, do surgimento de um mundo inteligível e de pensamento transcendental. O pensamento se torna dualista e maniqueísta( corpo sempre desvencilhado da alma imaterial ), a verdade jamais poderá ser alcançada nesse mundo, a alegoria da caverna nos diz isso. Vivemos na aparência, vendo vultos e fantasmas do que um dia poderá nos ser revelado ou não,em uma esfera superior. Por outro lado as idéias materialistas e sensíveis desse e somente desse mundo. Monismo e imanentismo, pois, não há lugar para alma imortal nem mundo inteligível, a própria alma é formada de átomos (mais finos e leves), e quando da morte nada restará, por isso não é preciso ter medo dela. A única ética é a do prazer, do bem estar e da felicidade suprema (hedonismo e eudemonismo).

 

 Platão foi influência primordial do cristianismo. O próprio Paulo de Tarso, estrategista do cristianismo, foi diretamente tocado por essas idéias já que era helenizado, apesar de judeu que era, e teve sua educação pautada na escola grega clássica. E com o passar do tempo, já na idade média, toda a teologia de Santo Agostinho foi criada a partir das idéias transcendentais e dualistas do platonismo. Mas não só os bispos da patrística foram influenciados, depois com a escolástica foi a vez de Aristóteles, com todas as suas teses  lógicas e evidenciando o pensamento especulativo ao invés da observação e experiência ( algo que perduraria por quase mil anos ). Com a instituição da Teocracia católica, o pensamento Platônico criou corpo e começou a fazer parte do inconsciente coletivo mesmo nos dias modernos. Pouco a pouco os filósofos antigos que não professavam as mesmas doutrinas maniqueístas foram esquecidos, marginalizados, se tornaram linhas de rodapé de livros, escondidos em cantos ocultos das bibliotecas universitárias de todo o mundo civilizado, servindo de sub pensamento até serem finalmente classificados como PRÉ!
Como prestigiar a afirmação do corpo sobre a alma, o imanente sobre o transcendente, o finito sobre o infinito, a vida terrena e única sobre a vida celestial e eterna, o hedonismo sobre o ascetismo. O próprio conceito de prazer e sensual mudaram de significado com o passar dos tempos, sempre associados mais ao caráter sexual que natural da questão. Sensual provém dos sentidos daquilo que podemos não só ver e ouvir, mas tocar, cheirar e degustar, sentidos esses últimos também pormenorizados por unirem o homem a suas origens animais, coisa inaceitável para a perfeição celestial. Só o corpo pode sentir, só a matéria e nada mais. Prazer tem mais a ver com a não aceitação daquilo que faz mal ou o desprazer, a convivência comunal, uma boa alimentação, saúde plena e é óbvio, uma vida sexual plena. Hedonismo visto como devassidão, aí uma coisa que os deturpadores do mundo natural sempre se empenharam em fazer!
Com essa concorrência desleal o “Triunvirato” filosófico, dificilmente será substituído dos livros, manuais, documentários como os verdadeiros demiurgos do pensamento moderno. A não ser que de tempos em tempos surjam pessoas levantando a bandeira dos “pré-socráticos” (Nietzsche, Carl Sagam, Michel Onfray,etc), para poucos mas atentos leitores.


Hélio Dehon
dehon732003@yahoo.com.br


3 comentários:

  1. visite meu blog e comente www.alexfilsofodeubajara.blogspot.com! ensaios excelentes

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  2. creio q houve um mistura de épocas, por exemplo epicuro foi depois de sócrates e os que vendiam "conhecimentos" eram pre-socráticos, contemporâneos de sócrates e sobrevivem até os dias de hoje...

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